Originais de Cármen Rocha - 

O     CÃO,    O     GATO,   E   O    RATO !                                                                                                                                   

Dizem que Deus colocou os cãezinhos no mundo para servir ao homem que com eles dividisse suas porções de comida.

 

Mas, com o passar dos anos, o homem começou a alimentá-los só com os ossos, comendo toda a carne.

 

Aborrecidos com a situação, os cães se reuniram e foram reclamar a Deus. O Pai Todo-Poderoso, triste com a injustiça, lavrou um documento que deveria ser apresentado ao homem, toda a vez que esse se esquecesse de suas obrigações para com o seu melhor amigo.

 

E, assim, voltaram os cães felizes para seus donos.

 

Mas aí surgiu um grande problema! Onde guardar documento tão importante, que deveria ser usado com o passar dos anos? E toda a cachorrada pôs-se a pensar:

— Ah! — disseram eles — pediremos para o gato guardar lá no sótão, pois só ele pode subir e, quando precisarmos novamente, pediremos para que ele o pegue. E assim foi feito.

 

Passaram-se os anos e o homem novamente esqueceu-se de suas obrigações para com seu companheiro e voltou a alimentá-lo só com ossos.

 

Reuniu-se novamente a cachorrada. Chamaram o gato para que fosse buscar o documento, para apresentá-lo ao homem e resolver tal situação.

 

O gato mais que depressa subiu ao telhado, entrou no sótão e foi procurar o precioso documento. 

 

Ouviram um miado desafinado:  — Miaaau!

 

Para sua surpresa, o rato havia roído todo o documento!

 

Por isso até hoje os cães não perdoam aos gatos, e os gatos aos ratos.

 

  

Cármen Rocha - A  LINDA  FLOR

DO  SAPATINHO  E  O  BILU-BILU

                          

Luizinha ganhou um belo sapatinho.

Tinha uma linda florzinha amarela em cima.

Era muito bonita!

 

Quando Luiza foi passear com a tia Helena, ela foi calçar o sapatinho.

Quase caiu da cadeira!

Onde estava a linda florzinha do sapatinho da Luiza?

 

 

 

Sumiu, sumiu! - ela gritou!    mix_250.gif (13691 bytes)

 

Foi correndo telefonar para a Patinha Detetive.

A Patinha Detetive, veio a toda com seu boné de detetive e sua lupa de achar florzinhas sumidas, e começou a olhar em todos os cantos.

 

Procurou atrás da porta, na geladeira, embaixo do travesseiro, dentro do vaso... Nada! Dessa vez sumiu mesmo! Quem será que pegou a linda florzinha amarela do sapatinho da Lulu?

 

Quando todo mundo já estava cansadinho... Eis que passa todo faceiro o Bilu-Bilu, com uma linda florzinha na boca.  Ele já ia mastigá-la!

― Pare aí, pare agora!- gritou a Patinha Detetive! Bilu-Bilu seu danadinho! Foi você quem pegou a florzinha amarela do sapatinho da Luiza?

 

― Fui eu, disse o cachorrinho - com vozinha fina.

― Bilu-Bilu, por que você pegou a linda florzinha amarela do sapatinho da Lulu?

 

― Porque eu queria brincar! Ela é linda!

― Ah! Tome esse ossinho!

O cachorrinho Bilu-Bilu, muito alegre, foi roer o seu ossinho no tapete persa da mami.

 

E todos bateram palmas.

Cármen Rocha - O MICO CHICO ERA UM COMILÃO! 

Maria, Mariiiiiiiiiiiiiia, faz pipoca, pra gente! -  gritou a molecada, naquela linda
noite de verão! Ela fez um panelão.
  

Arrebenta pipoca

    Maria sororoca

Arrebenta pipoca

    Maria sororoca...  
A meninada já estava lambendo os beiços. E lá vinha pipoca com direito à televisão. Sentaram para assistir o sítio do Picapau Amarelo – do Monteiro Lobato. Estavam comendo num copo enorme. E já iam repetir quando, de repente, apagou a luz e... na velocidade do vento, Chico - o Macaquinho - roubou a panela de pipoca, e vupt!  correu.  
No escuro ninguém viu.
         mix_250.gif (13691 bytes)   Quando a luz voltou, ninguém sabia o que tinha acontecido. Foi um berreiro só. A panelona de pipoca sumiu! Luiza foi correndo chamar a Patinha Detetive. A Patinha Detetive veio logo com seu boné de detetive e sua lupa de descobrir ladrão de pipoca.
Procura que procura. Debaixo do pires, atrás do quadro, dentro da caixa do correio, NADA!
 
Sentou-se cansadinha perto da TV para descansar e ver a Emília, que falava pelos cotovelos com o Pedrinho. E... de repente, descobriu o panelão vazio escondido atrás da televisão. Quem será que comeu toda essa pipocada? – perguntou espantada!  Examinou com sua lupa de achar pedacinhos de pipoca roubados, e percebeu uns pelinhos esquisitos, no cabo do panelão. A Patinha Detetive logo desconfiou do Macaquinho Chico. Perguntou:

Foi você, Macaquinho Chico, quem papou toda a pipoca do panelão?

O macaquinho respondeu:- nã, nã, nã, nã - sacudindo a cabeça e aprontando o pulo para o alto do lustre. 

A Patinha Detetive não entendeu nada, mas como sabia das artes do Chico, catou o bicho pelo rabo e começou a examiná-lo com sua lupa, enquanto ele gritava: nã, nã, nã, nã. Então ela percebeu que ele estava com um barrigão! Daí a pouco, o Chico começou a gritar de dor de barriga. A Patinha Detetive disse: Ah! Isto é arte de macaco, ele comeu toda a pipoca! Chamou logo a veterinária. A Dra. Fernanda, tia da Luiza, disse: Muita pipoca! Tem que fazer regime, tomar gatorade, água de coco e  só comer banana amassada! Puxa! O macaco Chico pediu mil desculpas, dando uns pulinhos esquisitos e abraçando o pescoço da Luiza. Mas a barriga do macaco foi inchando, inchando... ficou enorme.  Todos deram muita risada!  

A  TORTA  DE  MORANGO  FOI  PASSEAR !     - Cármen Rocha


                                                            

                                                    

Certa noite, a Luiza foi fazer um gostoso piquenique no bosque perto de sua casa. Foi com todos seus amiguinhos.

A Aninha levou uma laranjas. O Aroldo levou sanduiches de presunto, a Inês levou uvas. A Gabi levou coxinhas. O Robertinho foi arrumar toda a comida na toalha xadrez.

— E você Luiza, o que levou?    — Uma Torta de Morango!
— Então ponha na mesa! — Mas eu já pus! — Mas onde ela está?
—Em lugar nenhum! Buá,ááááá... - berrou a Luiza, chamem a Patinha Detetive, roubaram minha torta de morango!

A Patinha Detetive chegou esbaforida:
— Luiza, o que é que sumiu? — Minha torta de morango! Inteirinha! - choramingou  a Luiza.
 

A Patinha Detetive começou a procurar a torta de morango da Luiza: embaixo da toalha xadrez, no bolso do paletó do Carlão, no galho da árvore, e nada. Cansadinha e com sede, resolveu beber água da biquinha e sentou na graminha só um pouquinho. Onde estará a torta de morango da Luiza? - pensou distraidinha.

Eis que vem vindo devagarzinho, uma bela Torta de Morango passeando pelo caminho!                   

— A torta, a torta! - gritou a  Patinha Detetive. Embaixo da torta ia uma Tartaruguinha   passeando calmamente. Aonde você está levando a tortinha da Luiza, Tartaruguinha?   — Não estou levando nada, só estou passeando no bosque! 

— Luiza, você colocou a torta em cima da tartaruguinha !!!  É por isso que ela sumiu! 

Foi só risada. Todas foram comer a torta, até a tartaruguinha aceitou um pedaço.  

 LUIZA, O MACACO E O BURRO © Dia das Criançasmix_250.gif (13691 bytes)                          Havia uma casinha perto do morro, onde morava o papai, a mamãe e uma menininha. Seu nome era Luiza, uma menina danadinha.
Um dia, a mãe estava tristinha, pois só havia para comer um pouco de arroz e um pouco de feijão. Como passar o verão com tão pouco grão?
Dos olhos da mãezinha caíram duas lágrimas: Uma lágrima rolou pela sua face... Outra lágrima caiu bem em cima da cabeça do Gato. O Gato acordou assustado: ― MIAU! E perguntou espantado - Ô mãezinha, por que você está chorando? E a mãe respondeu soluçando ― Estou sem arroz nem feijão. Não tenho nada no fogão! ― Oh! fez o Gato! - coçou a cabeça pensou, pensou... Onde está a Luizinha? ― Lá fora, jogando amarelinha - Luiza, venha conversar com o Gato! Acabou toda a papinha! ― Luiza - disse o Gato - vá por este caminho afora para achar comidinha. Não tem arroz nem feijão nessa casinha! E a menina levantou bem cedo e saiu estrada afora. Levou água e pão. Chegou perto de uma bananeira e colheu uma banana. Chegou perto de um milharal e colheu uma espiga de milho.E continuou a caminhar, a caminhar... até se cansar. ― Ai, como essa sacola pesa! – gemeu Luiza - então encontrou um Macaco  
― Pobrezinho, disse a menina, o que você tem, Macaquinho? ― Muita fome! ― Tome essa banana, deu-lhe a menininha. O Macaco devorou tudo. Continuaram a andar, a andar... No caminho encontrou um Burrinho faminto.   ― Pobrezinho, disse a menina, o que você tem, Burrinho? ― Muita fome! ― Tome esse milho, deu-lhe a menininha. O Burro devorou tudo. Continuaram a andar, a andar...   A menininha comeu o pão e tomou o último gole de água e começou a choramingar, pois lembrou-se do papai e da mãezinha, famintos, lá na casinha. Mas o Macaco e o Burrinho exclamaram: 
―Não chore mais, Luiza! Nós vamos te ajudar! Vamos todos voltar para a casinha! A menininha ficou muito, muito contente... Na volta para a casinha, o Macaco apanhou todas as delícias que via, o Burro, muito forte, punha tudo em seu lombo... Era brigadeiro, era sorvete de morango, era pipoca... macarronada, milho verde, pirulito de chocolate, bolo de cenoura... um balde cheio de mingau de aveia, muita bala de goma, arroz e feijão, de montão! 
Quando chegaram em casa foi uma festa, um festão! Tinha muita comida gostosa.   O Papai, a Mamãe e a Luiza, o Gato, o Macaco e o Burrinho ficaram de barriga cheia. E todos ficaram contentes.    in      “ContosdaCarochinha”     

1a. História da Patinha Detetive - Cármen Rocha

   A GATINHA DANÇARINA 

 

A Patinha queria porque queria ser Detetive. Pôs uma placa na porta: “Eu sou a Patinha Detetive”. E comprou um boné de detetive e uma lupa de enxergar coisas perdidas.

 

Um belo dia, uma menininha chamada Luiza tinha uma boneca com uma linda pulseirinha colorida.
Luiza entrou no seu quarto e exclamou:

Oh! A linda pulseirinha cor-de-rosa da minha boneca sumiu! E começou a chorar tão alto, mas tão alto que até acordou seu vizinho, o Robertinho. Ele era seu amigão. Ele tinha o telefone da Patinha Detetive. A Luiza foi correndo telefonar para a Patinha Detetive e contou tudinho: Eu tenho uma linda boneca. Eu entrei no meu quarto, oh susto! A pulseira cor-de-rosa da minha boneca sumiu!

A Pata Detetive prometeu descobrir quem levou
a linda pulseirinha
cor-de-rosa da boneca da Luiza. A Patinha Detetive pegou seu boné de detetive, sua lupa de aumento e foi olhar tudo na casinha da Luiza. Olhou no cinzeiro da sala, embaixo da cama, dentro do forno, NADA!

 

Então... viu marcas de patinhas pelo tapete da casa da Luiza, e mais patinhas, e mais patinhas... até chegar ao telhado, onde uma bela gatinha angorá dormia sossegadamente. Em sua patinha tinha uma bela pulseirinha cor-de-rosa! 
― Quem é você, Gatinha? – perguntou a Patinha Detetive.
― Eu sou a Gatinha Dançarina – falou ela com vozinha fina.

― Foi você quem pegou a linda pulseirinha da boneca da Luiza, Gatinha Dançarina? 
Fui eu – falou com vozinha fina. 
― Por que você
pegou a pulseira cor-de-rosa da boneca da Luiza?
 
― Para dançar na festa da escola, ora!
Ponha esta flor nos seus cabelos, você vai ficar linda!

A Gatinha Dançarina colocou nos cabelos a flor da Patinha Detetive e devolveu a pulseirinha cor-de-rosa da boneca. Deu um beijo bem lambuzado na Luiza. A Luiza deu um grande abraço carinhoso na Gatinha Dançarina. Tudo resolvido, a Patinha Detetive ficou muito contente. A Patinha Detetive resolveu o seu primeiro caso de detetive! Oba!

                                                                                                                    - Cármen Rocha

INVEJA

 Atchim!                 

                 Sai, sapo, você não é ave!                             

 

Envie a sua!

carmenrochacontos@uol.com.br

O LENCINHO MARROM NÃO ERA BOMBOM - Cármen Rocha

Verinha convidou a Luiza para o batizado de sua boneca. Era para todas as meninas levarem suas filhinhas. Luiza, muito contente, deu um banho em sua boneca, vestiu-a com um belo vestido vermelho de bolinha, pôs água de colônia e levou-a ao batizado. Quando foi dar o presente da boneca da Verinha, ôpa, cadê o lencinho marrom da bonequinha da Verinha? Não é que sumiu? Abriu o berreiro. E chamou logo a Patinha Detetive que pôs seu boné de detetive e pegou sua lupa de ver lencinhos que somem, e saiu para acudir a Luiza. A Patinha Detetive   chegou correndo e foi logo perguntando:    

 Luizinha, pare com o berreiro, o que é que sumiu?                     

O Lencinho Marrom que eu ia dar para a boneca da Verinha - berrou a Luizinha.

E pôs-se a gritar tão alto que todas as meninas da festa também começaram a chorar. Foi um berreirão só. A Patinha Detetive procurou na cesta de costura, dentro do balde de água suja e até dentro da banheira! Nada!

Estava quase desistindo, quando percebeu um fiapo atrás da cortina. Foi bem de vagarinho e vupt, puxou a cortina.
Quem ela viu?
Um Ratinho Branco Barrigudinho e com um sininho prateado pendurado no pescoço.

― O que você está fazendo aí, Ratinho Branco de sininho prateado pendurado no pescoço?

― Comendo esse bombom marrom. Está tão bom!

― Você não sabe que esse Lencinho Marrom é o presente da Luiza?

― Mas... está com um gostinho tão bom! Não é bombom?    

― Não! Gritaram todas as meninas. Isso não é comida!

― Não é, é?

― Não! É o Lencinho Marrom da boneca da Verinha - berrou Luizinha.

Nossa, pobrezinha! Desculpe Luiza, toma o meu Sininho Prateado!

Muito contente, Luiza deu o Sininho Prateado para a boneca da Verinha, e todas pararam de chorar. Ufa! 

Perdoaram o ratinho branco e foram comer doces e tomar suco de caju!
Que batizado!

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