Dona BARATINHA

 Esta é a história da Dona Baratinha que cantava bem alto na janela da sua casinha: “Quem quer casar com a Dona Baratinha... que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha...” Bem, um dia... a Dona Baratinha estava varrendo, varrendo o chão... de  uma linda igrejinha. Mas, ela se sentia muito só... ― Como eu sou sozinha - lamentava a Baratinha, e varria, varria... o chão da  igrejinha. E então, coitadinha, pôs-se a chorar... Horas e horas... Um dia inteirinho... E ao tirar um cisco de debaixo do banco da igrejinha... Oh! que alegria! Avistou uma coisa amarelinha brilhando. ― Oh! O que será, o que será? Perguntou a Baratinha, sem nem mesmo pestanejar. Então, viu uma linda moedinha! Que bela moedinha achei no chão da igrejinha! Agora sim, posso me casar, pois já tenho um tostão! E guardou bem guardado numa caixinha. Ficou muito contente, e correu logo para a sua casinha. E começou a se enfeitar: Tomou um banho perfumado e pôs muito talco de cheiro, vestiu seu vestido de flor e jogou fora seu vestido caseiro. Soltou seu cabelo louro que penteou o dia inteiro. Pintou muito bem pintada sua boca de vermelho. Colocou cílios postiços, revirados para o céu.  ― Foi um verdadeiro escarcéu! E no cabelo? Uma fita feiticeira para aumentar seus encantos.  Falaram as amigas ciumentas: ― Onde já se viu?  Argolas douradas nos braços, muito perfume, ficou um pedaço... ― Ai, como sou bela! - exclamou a Baratinha. ― Também, com tanto dinheiro! - repetiram sem piedade todas as comadres.  ― Tem moça bonita!... Casamento à vista...  - o Sapo amigo berrou. O perfume cheirou de longe. Toda a bicharada se preparou. E todos os bichos souberam!  A notícia se espalhou... Abriu-se uma toalha de renda no parapeito da janela. Ali se debruçou a linda e bela donzela com olhos brilhantes e cantou bem afinada: "Quem quer casar com a Dona Baratinha... que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha..."  Mas quem, santo deus, por ali se aventurou? Os rapazes mais belos da cidade! Passou o jovem Macaco e cumprimentou: ― Alô!   O Coelho tirou a cartola, e o Cachorro uivou: ― Auuuuuuu... E o Gato e o Sapo e muitos outros rapazes, cada um por ali desfilou: ―  Uh, uh, uh...  Pra ninguém ela olhou, pois, ficou sabendo que à noite faziam muito barulho!  E a Baratinha muito muito se assustou.  Mas quando a bela Baratinha, já estava cansadinha... eis que mais jovens apareceram! O Burro, o Boi, e o Ratinho, nada mais, nada menos... Por qual deles se entusiasmou? O Burro, balançando o rabinho: ― Alô, simpática – desafinou.  ― Alô, garotona! – trovejou o Boi. Ela quase desmaiou.  Mas... eis que se ouve de repente uma voz fina deliciosa: ― Alô, princesa, linda mocinha!  Falou o Dom Ratão! ― Oh! – quanta emoção!  Eis que era o jovem de seus sonhos!  Que barato! Nada mais, nada menos que um belo Rato! Seu coração disparou, teve que tomar imediatamente chá de hortelã até que seu coração se acalmou! ― Linda princesa, quer comigo se casar? Ela respondeu impetuosa:― Sim. É pra já.  Linda festa de casamento! Com bem-casado, bom-bocado  e bombom.  E para agradar a Dom Ratão, a bela D.Baratinha fez uma bela feijoada!  Com enorme toicinho e muito feijão! Que grande emoção!  Mas oh! tristeza infinita, que Rato mais comilão! Tanto comeu Dom Ratão, tanto comeu o coitado, que caiu desmaiado dentro do panelão! Dona Baratinha voltou tristinha para a janela, desconsolada... E com vozinha fina até hoje canta emocionada:        “ Quem quer casar com a Dona Baratinha ... que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha...”                 

    A GATA CENOURINHA E A TOUCA DE DORMIR                   

Estava muito frio e o vento fazia ZZZZ na janela!

A Luiza vestiu seu pijaminha de flanela, sua meinha de lã e foi pegar sua touquinha de dormir em dias muito frios!

 

Mas, oh! Horror! Não é que sua touquinha de dormir tinha sumido! Começou a berrar tanto que acordou todos seus amiguinhos do prédio, que saíram de suas caminhas e foram chorar juntos.

 

Foi tanto berreiro que o papai Fábio teve um ataque!

 

Foram correndo chamar a Patinha Detetive, que pegou seu boné de detetive e sua lupa de achar touquinhas de dormir sumidas, e procura que procura: dentro do açucareiro, dentro do bule de chá, atrás do retrato da Cacá e nada.

 

A Patinha Detetive já estava com uma vontade louca de tirar um cochilo. Estava exausta! Dessa vez não iria achar a touquinha de dormir da Luiza. Nisso ela vê a Gata Cenourinha, a gata alaranjada da Luiza, dar uma grande cabeçada, e se esconder embaixo da cama da Luiza ― Miauuu!

 

― Por que Gata Cenourinha, você bateu a cabeça?

― Porque eu não enxergo nadinha.

 

― Por que você não enxerga nadinha, Gata Cenourinha ?

― Porque está muito escuro!

 

― Mas a luz está acesa! Saia já de debaixo da caminha!

Luiza, Luiza, a sua touca de dormir caiu na cabeça da Gata Cenourinha!

É por isso que ela não enxerga nadinha.

 

Foi só risada!

 A mãe da Luiza fez uma chocolatada e todos foram dormir bem quentinhos.  

O  SAPINHO-VERDE-CANTADOR  E  O  U  U U ...  
A Patinha Detetive- Cármen Rocha 

 A Luiza estava aprendendo a ler. Ganhou uma folha de papel com todas as letrinhas escritas: A, B, C, D, E ...e foi correndo mostrar para a Gabi, lá em baixo no jardim.

Quando abriu na página do U, quase desmaiou. Não é que tinham tirado o U?

 

Correu para chamar a Patinha Detetive, que pegou seu boné de detetive e sua lupa de achar letrinhas sumidas, e correu para o quintal da Luiza.          

 

Estava uma gritaria, uma choradeira, porque toda a criançada berrava.

A Vivi, mãe da Luiza, desmaiou de susto!

 

Desesperada, a Patinha Detetive, começou logo a procurar: atrás do banco do jardim, debaixo da pedra, no fio da teia da aranha tecedeira, e nada do U!

 

Cansadinha, resolveu descansar perto do laguinho. E com o barulhinho das águas, deu uma deliciosa cochilada, quando ouviu um U, U... e acordou!

 

― Quem está fazendo U, U, U... - perguntou.

                                          U,U,U...   U,U,U...  

― Sou eu, respondeu um Sapinho-Verde-Cantador.

 

― Por que você faz U, U... Sapinho Verde Cantador? – perguntou a Patinha Detetive.

― Estou ensaiando para cantar na festa da escola!

 

― Foi você que tirou o U da Luiza?

― Fui eu – falou com vozinha fina.

 

― Mas a Luiza está chorando! Não faça isso!

― Oh, coitadinha! Vou pôr novamente o U na folha das letrinhas.

 

― Foi ele, falou a Patinha Detetive, foi ele que tirou o U, Luiza. Foi o Sapinho Verde Cantador! Ele queria cantar!

 

As meninas correram alvoroçadas e pediram para o sapinho cantar!

 

E o Sapinho Verde Cantador cantou:

U, U, U... U,U,U...  

Eu não, eu não...                      

Eu não, eu não...

Não faço mais não! U,U,U...  

Todas riram muito.

O SORVETE DE MORANGO E O ALPISTE DO PARDALZINHO AZUL     

Eu quero sorvete de morango! Eu quero - berrava a Luza. A mãe da Luiza, não agüentando mais, comprou-lhe um sorvetão,com um lindo morango bem em cima.   
- Oba! - falou a Luiza.
 E muito sem cerimônia, sentou-se na calçada, em baixo de umas árvores e começou a tomar o sorvetão. 
Um pouco de sorvete ia para a  boquinha da Luiza, e um pedacinho do morango desaparecia no bico do pardalzinho azul que estava escondido atrás da moita. Ele bicava o morango e se escondia bem depressa, até que comeu todo o enorme morango do sorvete da Luiza. A Luiza começou a berrar...

Aquele dia a Patinha Detetive estava de folga. Era domingo, e ela estava passeando de moto, e tirando umas fotos. E ploc, tirou uma do Pardalzinho, bem na hora que ele dava uma baita bicada no morango da Luiza.

 

― Luiza - disse a Patinha Detetive, eu sei quem foi que comeu o seu morango!

 

A Patinha Detetive pegou sua lupa de enxergar morangos sumidos, correu para a moita e berrou: quem estiver atrás da moita comendo o morango do sorvete da Luiza, que saia bem depressa!

 

O passarinho deu um pulo bem rápido para a frente da Patinha Detetive.

 

― Pardalzinho Azul, foi você quem estava comendo o morango do sorvete da Luiza?

― Fui eu - falou o Pardalzinho Azul - com vozinha fina.

 

― Por que você comeu o morango do sorvete da Luiza?

― Porque é delicioso. É o meu prato favorito!

 

― Não é alpiste, Pardalzinho Azul ?

― Mas eu não encontro mais alpiste!

 

― Luiza, e agora?

 

 Luiza coçou a cabeça, pensou, pensou...

― Quem  come, não amola... Quem  come, não amola...

Vou lhe comprar alpiste, Pardalzinho Azul ! – falou a Luiza.

 

O Pardalzinho Azul muito contente trouxe para a Luiza umas folhinhas de hortelã:

― É para você tomar chá com suas amiguinhas!

Todos deram as mãozinhas e ficaram amigos! 

Cármen Rocha

O URUBULÉO E O ANEL DE RUBI

Luiza tinha um belo anel de rubi. Veio num saquinho de pipoca-doce que ela comeu tudinho e enfiou o anel no dedo e não tirou nunca mais.

 

Quando chegou a hora de tomar banho, ela fez beiço, mas colocou o anel de rubi  na janela do banheiro. Porém ela se esqueceu e foi para a escola sem o anel de rubi.

 

A tia da escola não agüentava mais o burro da Luiza. O beiço ia até o chão. A Luiza muito tristinha foi para casa e correu para apanhar o belo anel de rubi. E daí?

 

Não estava mais lá. Com um berreiro medonho a Luiza foi chamar a Patinha Detetive, que veio correndo com seu boné de detetive e sua lupa de achar anel de rubi desaparecido.

 

― Você tem certeza Luiza que estava na janela do banheiro? Quem tiraria seu anelzinho de rubi? Aqui é muito alto! Só se foi um passarinho!

 

Com o maior trabalho, a Patinha Detetive subiu até o terraço do prédio e Oh! surpresa horrorosa! Quem estava bem folgado tomando sol e se espreguiçando, lá no alto? Um urubu desse tamanho! Parecia um elefante preto! Que grande! Ele tinha um belo anel de rubi no seu dedo mindinho!

 

― Quem é você, Seu Urubu? – perguntou a Patinha Detetive, com todo o respeito (e com muito medo!)

Eu sou o Urubu Léo, aqui é onde eu tomo sol e descanso do vôos no céu - falou com voz grossa.

― Por que você pegou o anelzinho de rubi da Luiza?

― Porque ele é lindo! Ele brilha como o sol!

― Mas ela está chorando!

― Desculpe! Fale para a Luiza que devolvo o anel e vou dar um beijo bem grande nela!

― Olha, Seu Urubu, ela mandou dizer que o Senhor pode ficar com o anelzinho dela. Ela nem está mais chorando.

 

(Cruz em credo, beijo de Urubu! Eu hem!) - A Luiza parou de chorar na hora!

O FIO DA PIPAE  A  CANARINHAAMARELA             

— Cortaram o fio da minha pipa, gritou Carlinhos, cortaram o fio da minha
pipa! Socorro, socorro! 

— Credo, Carlinhos! – você amalucou?  

— Cortaram, cortaram o fio!  

— Você tem certeza? 

— Ora, claro que tenho, você não está vendo que só está um fiozinho do meu papagaio na mão? 

— Vou telefonar para a Patinha Detetive! - disse a Luiza. Alô! Venha depressa, cortaram o fio do papagaio do Carlinhos. A Patinha Detetive chegou à toda, e trouxe seu boné de detetive e sua lupa de enxergar fios de pipa.   Procurou correndo por todo o quintal, no campinho de futebol, em baixo da pedra, e no jardim enorme de D. Mariquinha e nada. Ficou exausta. A mãe de Carlinhos chamou todo mundo para tomar uma limonada e para ver se seu filho fechava a matraca, isto é se ficava um pouco quieto, pois ela não agüentava mais aquele berreiro.A Patinha Detetive exausta de tanto procurar, deu uma bela descansada, e até pegou um soninho em baixo de umas belas árvores que tinham ali no jardim da casa do Carlinhos.Acordou com uma coceira no nariz! Quando abriu os olhos, o que era? O que era?  Era um fiozinho conhecido (do papagaio do Carlinhos) que descia lá de cima, de um galhinho da árvore, e balançava de lá para cá, fazendo cosquinha no nariz da Patinha
Detetive.
Mais que depressa pegou uma escada e subiu bem depressa. Vocês sabem o que ela viu? Uma linda Canarinha Amarela, muito nervosa, tecendo um ninho.
 
— Linda Canarinha Amarela de onde você pegou esse fiozinho?
— Da pipa do Carlinhos!

— Mas ele está chorando! Por que você fez isso?
— Para pôr no ninho dos meus filhotinhos!

— Ô! Meninos venham ver os filhotinhos da Canarinha Amarela! - chamou a Patinha Detetive.
— Mãe, vamos arranjar algodãozinho para o ninho da Canarinha Amarela, muito mesmo – gritou Carlinhos!

— Que bom! Agora o ninho vai ficar bem macio - disse a Canarinha.
E a Canarinha Amarela cantou para seu amigo Carlinhos lindas canções de amiga!

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