CÁRMEN ROCHA E O SEU LADO INFANTIL

Em - contosdacaRochinha - uso a linguagem simples, coloquial, mas não me preocupo, se aparecer uma ou outra palavra mais complicada, pois a criança tem uma facilidade incrível para aprender, desde que dentro de um contexto de seu interesse, que deverá estar ligado ao brincar e ao descobrir coisas. Tento escrever como elas pensam. Claro que hoje elas são mais naturais, já foi o tempo em que criança não se sentava à mesa e não falava perto de visitas, era a época da mudez e do medo. Eram crianças, a maioria, sem iniciativa e criatividade. A forma de escrever sempre será a mesma, as histórias boas (clássicas) não passarão. O que sempre mudará são os conceitos. Estamos na época do natural, talvez com um pouco de exagero, perpassando pelos maus programas de TV, e outros apelos pouco sociais, que não respeitam a criança, nem suas famílias, muitas vezes desavisadas. A curiosidade da criança justifica-se ao tentar dominar seu mundo imediato. Ponho-me criança e reivindico coisas contrárias, que dizem que criança não pode. Ponho minha roupagem infantil e faço meus diálogos diretos, dentro dessa lógica: objetiva, direta e óbvia, que é como a criança vê as coisas, com simplicidade. Para ela tudo pode, não há barreiras. Respeito sua ingenuidade, nada lhe impondo, mas caminhando junto, e ao mesmo tempo levo em conta sua esperteza. Apelo para o engraçado. Tudo para a criança é uma brincadeira, dou então, sempre um sentido fortemente lúdico às estórias, tentando sempre recuperar esse desejo inato do brincar, e superando experiências desagradáveis com imagens mágicas, que acabarão dando-lhe forças para, vivenciando-as, superar seus medos.O seu inconsciente vai se amoldando através dessas experiências, e a criança vai tornando-se forte e bem formada. Ela necessita ter experimentos desagradáveis para, ao superá-los, tornar-se firme. Por outro lado, muitas obrigações no seu dia a dia, em detrimento do brincar, deixam-nas cansadas, apáticas e podem prejudicar seu lado criativo. No ouvir histórias, na leitura, as imposições do seu dia a dia, se diluem. Coloco o real: brigam, perguntam, querem achar suas próprias soluções, dentro dessa lógica simplista para equilibrar seus medos. No meu conto: Mamãe, o que é morrer? - tema raro, que trato com simplicidade e delicadeza, a criança passa também a encará-lo assim, e fica preparada para as vissitudes do futuro. Procuro também diluir alguns preconceitos passado pelo adulto, para dar-lhe mais armas para ver o mundo de forma mais natural e igual. No mais, o que comanda mesmo o meu escrito é o grande desejo de proporcionar-lhes horas de encantamento.
Projeto Cultural Cármen Rocha - 1998
